Eleições 2026: o que o Aláfia Lab está fazendo?

Com o início efetivo da campanha eleitoral, vai ser cada vez mais difícil falar de qualquer outra coisa. E, por aqui, isso significa intensificar um trabalho que já vem acontecendo há meses. No Aláfia Lab, acompanhamos as plataformas digitais, as regras eleitorais e os diferentes desafios que surgem para a integridade da informação durante o processo eleitoral.

Desinformação nas eleições 

Com a campanha, também se multiplicam as dúvidas sobre o que é permitido na internet. Ao longo dos últimos meses, produzimos diferentes conteúdos para ajudar a tornar esse cenário mais compreensível. É o caso da nova temporada do *desinformante explica, dedicada especialmente às eleições, que reúne conteúdos para explicar de forma simples temas que costumam aparecer no debate eleitoral. Já a página de eleições do *desinformante reúne as produções da organização sobre o período eleitoral. 

Também fazemos parte da Coalizão de Desinformação, Gênero e Raça, uma iniciativa que reúne oito organizações para enfrentar a desinformação e a violência política de gênero e raça nas eleições de 2026. A proposta é monitorar narrativas emergentes e produzir evidências.

Outro material que vale revisitar o Beabá da Propaganda Eleitoral na Internet, produzido em parceria com o IRIS e a ARTIGO19. O guia destrincha as regras da propaganda eleitoral e ajuda a entender os limites e possibilidades da atuação na internet durante a campanha. 

Mas entender as regras é apenas uma parte desse trabalho. Também precisamos acompanhar como o uso das tecnologias estão, na prática, interferindo no ambiente informacional.

O que a inteligência artificial já mostra sobre as eleições

Uma dessas frentes é o Observatório IA nas Eleições, realizado pelo Aláfia Lab em parceria com a Data Privacy Brasil. A iniciativa monitora casos de uso de inteligência artificial generativa na produção, amplificação ou manipulação de conteúdos políticos que possam afetar a democracia e a integridade da informação.

O relatório mais recente do projeto, “IA na pré-eleição: principais achados e tendências, reúne os casos identificados entre 1º de janeiro e 15 de agosto de 2026. Nesse período, foram registrados 413 casos de uso de IA em publicações relacionadas à política brasileira, uma média de 1,8 caso por dia. O Instagram concentrou 208 registros, seguido por TikTok (89) e X (68). Juntas, as três plataformas reuniram 88,4% dos casos monitorados.

O levantamento também mostra que o vídeo foi o principal formato utilizado: foram 281 casos, equivalentes a 68% do total. As imagens corresponderam a 30% e os áudios, a cerca de 2%. Em 260 dos 413 casos, cerca de 63%, não havia qualquer indicação de que o conteúdo tivesse sido gerado ou modificado por IA.

E a maior parte desses conteúdos envolveu a manipulação digital da imagem ou da voz de pessoas: 128 dos 145 casos publicados por políticos e partidos foram classificados tecnicamente como deepfakes. O relatório ressalta, porém, que a classificação técnica como deepfake não significa, sozinha, que um conteúdo seja proibido pela legislação eleitoral. O enquadramento depende também do contexto, do conteúdo e da finalidade de sua utilização.

É justamente por isso que o monitoramento continua durante a campanha. O Observatório acompanha não apenas a existência desses conteúdos, mas também sua finalidade, circulação e relação com as regras eleitorais.

Quem está vendo o quê?

Outra dimensão desse trabalho é entender que a circulação de informação não acontece da mesma maneira para todo mundo.

Em breve, o Aláfia Lab publica o relatório Informação e Desinformação: Um retrato dos perfis de posicionamento político no Brasil. A pesquisa aprofunda estudos anteriores, como o Desigualdades Informativas 2025. O objetivo é investigar como diferentes perfis de posicionamento político consomem informação e se relacionam com conteúdos desinformativos. 

Um dos dados do levantamento ajuda a dimensionar esse cenário: 37,7% dos respondentes não souberam ou preferiram não responder sobre seu posicionamento político. O relatório vai explorar como funciona a dieta informacional  de Esquerda, Centro, Direita e pessoas que não se identificam com um posicionamento político.

E as plataformas?

Se, por um lado, olhamos para as regras da Justiça Eleitoral, por outro, é importante compreender quais são as regras que as próprias plataformas estabeleceram para o período eleitoral. Elas são suficientes?

Foi essa uma das perguntas que nos mobilizou, no âmbito da Sala de Articulação contra a Desinformação (SAD), na construção de um documento coletivo que analisa as políticas de plataformas de redes sociais, sistemas de inteligência artificial e serviços de mensageria.

O resultado foi um documento construído coletivamente e assinado por mais de 70 organizações, reunindo recomendações para que as empresas atuem de forma mais efetiva na proteção da integridade eleitoral. É um trabalho que reforça a importância da articulação da sociedade civil para acompanhar e incidir sobre decisões que afetam o debate público.

E esse acompanhamento continua.

No dia 16 de agosto, as plataformas entregaram à Justiça Eleitoral seus planos de conformidade, que agora também passam a fazer parte da nossa agenda de monitoramento. Seguimos olhando para o que as empresas estão implementando e para os desafios que permanecem no caminho.

O trabalho continua durante a campanha

Informar sobre as regras, acompanhar as plataformas, monitorar o uso de inteligência artificial, investigar a circulação de desinformação e produzir conhecimento sobre os diferentes públicos que compõem o ambiente informacional são frentes que se complementam.

A campanha eleitoral começou, mas o trabalho de acompanhar e fortalecer a integridade das informações que circulam na internet já está a todo vapor há bastante tempo. E, nos próximos meses, seguimos acompanhando o que muda, o que permanece e quais novos desafios aparecem no caminho até as urnas.