Direita percebe mais desinformação sobre política nas redes enquanto esquerda tem maior confiança na identificação de fake news

A Direita é o grupo que mais percebe a circulação de desinformação relacionada à política, enquanto a Esquerda apresenta os maiores índices de confiança para identificar conteúdos falsos e de uso de mecanismos de checagem. Os dados fazem parte do novo estudo do Aláfia Lab, Informação e Desinformação: Um retrato dos perfis de posicionamento político no Brasil, que examina como diferentes perfis políticos se informam, utilizam redes sociais e ferramentas de inteligência artificial e lidam com conteúdos potencialmente desinformativos.

Segundo a pesquisa, 55% das pessoas que se identificam com a Direita afirmam perceber desinformação sobre política. Ao mesmo tempo, 64,9% dizem conseguir identificar fake news de maneira geral, mas ainda com dúvidas, o maior índice de hesitação entre os quatro perfis analisados.

Na Esquerda, 38,7% afirmam conseguir identificar desinformação com facilidade, o maior percentual entre os grupos. O perfil também apresenta a maior utilização de mecanismos de checagem: 47% dizem recorrer a alguma forma de verificação diante de conteúdos suspeitos. 

A pesquisa registra, contudo, um comportamento que o relatório chama de paradoxo: apesar dos maiores índices de confiança e checagem, 8,5% das pessoas de Esquerda afirmam já ter compartilhado conscientemente um conteúdo falso. O percentual é baixo, mas o maior entre os grupos pesquisados.

Diferenças também aparecem no uso da inteligência artificial

As ferramentas de inteligência artificial já fazem parte das estratégias de verificação de parte dos entrevistados. 21,2% das pessoas de Centro e 18,6% das de Esquerda afirmam utilizar IA para checar a veracidade de informações, enquanto os índices ficam em torno de 12% entre pessoas de Direita e Sem Posicionamento Político.

A frequência geral de uso também varia. A Esquerda apresenta o maior percentual de uso diário de IA, com 39%. Já entre as pessoas Sem Posicionamento Político, 47,3% nunca utilizaram essas ferramentas.

Os diferentes caminhos para se informar sobre política

Além do comportamento diante da desinformação, a pesquisa mapeia as chamadas dietas informacionais dos quatro perfis. A Direita é o único grupo em que as redes sociais aparecem à frente da televisão como principal meio de informação política: 54,2% apontam as redes sociais como a principal fonte.

Entre Esquerda, Centro e Sem Posicionamento Político, a televisão continua sendo o principal meio citado para obter informações políticas.

A pesquisa também mostra a distribuição dos respondentes de acordo com o posicionamento político autodeclarado. 37,7% afirmam não ter posicionamento político, enquanto 28,4% se identificam com a Direita, 22,5% com a Esquerda e 11,3% com o Centro.

Somados, Centro e Sem Posicionamento Político correspondem a 49% dos respondentes, proporção superior à observada para Esquerda ou Direita isoladamente.

O relatório ressalta que os quatro perfis não devem ser interpretados como grupos comportamentais rígidos. Os resultados representam um retrato conjuntural e probabilístico das tendências identificadas pela pesquisa, e os grupos intermediários apresentam pontos de contato que variam conforme a dimensão analisada.

Para o Aláfia Lab, o mapeamento permite observar como o posicionamento político se relaciona a diferentes formas de consumir informação e responder à desinformação, sem tratar esses grupos como categorias fixas.

O estudo integra a agenda de pesquisas do laboratório sobre informação, desinformação e comportamento digital no Brasil, dando continuidade a trabalhos anteriores, como “Desigualdades Informativas 2025: entendendo os hábitos de consumo de informação dos brasileiros” e “Como os Brasileiros percebem a circulação da desinformação e o uso da Inteligência Artificial”.