Nova edição da pesquisa Desigualdades Informativas: Entendendo os hábitos de consumo de informação dos brasileiros

Terceira edição do estudo incorpora escolaridade e religião e revela o avanço de aplicativos de mensagens e ferramentas de inteligência artificial no ecossistema informativo

O Aláfia Lab lançou a terceira edição da pesquisa “Desigualdades Informativas: Entendendo os hábitos de consumo de informação dos brasileiros”, dando continuidade à série que investiga os caminhos informacionais da população no país. Publicado em 2025, o estudo aprofunda a compreensão sobre como fatores sociodemográficos influenciam o acesso, o consumo e as fontes de informação no Brasil, em um cenário marcado por rápidas transformações tecnológicas.

Desde 2023, a pesquisa acompanha os hábitos informacionais dos brasileiros a partir de variáveis como gênero, raça, idade e renda. Em 2024, o escopo foi ampliado com a inclusão do posicionamento político, permitindo análises sobre polarização e consumo de informação. Já nesta nova edição, o estudo incorpora também escolaridade e religião, ampliando a capacidade analítica e oferecendo um retrato ainda mais detalhado das desigualdades informativas no país.

Os resultados são provenientes de uma pesquisa quantitativa com 1.512 pessoas, realizada entre os dias 24 e 25 de setembro de 2025.

Mudanças no ecossistema informativo

A edição de 2025 confirma a centralidade das plataformas digitais no consumo de informação, ao mesmo tempo em que evidencia o crescimento de novos intermediários informacionais. Redes sociais (53,5%) e televisão (52,5%) seguem como as principais fontes de informação da população brasileira, enquanto os portais de notícias ocupam a terceira posição (39,7%).

No entanto, os avanços mais expressivos aparecem nos aplicativos de mensagens, que cresceram de 21,5% em 2024 para 28% em 2025, e nas novas ferramentas digitais. Newsletters por e-mail (12,2%) e inteligências artificiais, como o ChatGPT (9,7%), já superam o consumo de revistas (5,8%) e jornais impressos (9,5%), indicando uma transição em direção a fontes mais personalizadas e mediadas por tecnologia.

Para captar essas mudanças, o Aláfia Lab manteve a metodologia adotada em 2024, mas incluímos novas categorias de acesso à informação, como inteligência artificial e newsletters, além de ampliar os cruzamentos de dados entre variáveis sociodemográficas.

Desigualdades no acesso e no uso da informação

Os dados também evidenciam como as desigualdades socioeconômicas se refletem no uso de novas tecnologias informacionais. O consumo de notícias por meio de ferramentas de inteligência artificial é mais frequente entre pessoas com rendas mais elevadas: 17,2% entre aquelas que recebem acima de 10 salários mínimos e 16,9% entre quem ganha entre 5 e 10 salários. Entre os que recebem até 1 salário mínimo, esse percentual cai para 7,9%.

A escolaridade também aparece como um fator decisivo. De modo geral, o consumo de informação cresce conforme aumenta o nível de instrução. Pessoas com ensino superior completo se destacam especialmente no acesso a sites e portais de notícias (53,5%) e newsletters (16,7%), apresentando diferenças significativas em relação aos grupos com ensino médio (42,1% e 11,7%) e fundamental completos (28,1% e 10,1%). O rádio é a única fonte em que o consumo entre pessoas com ensino fundamental completo supera, ainda que de forma marginal, os demais níveis.

A pesquisa está disponível para leitura.

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