Sociedade civil analisa papel das plataformas digitais na integridade eleitoral

As eleições gerais de 2026 acontecem em um ambiente informacional diferente daquele observado em 2022. Além das redes sociais e dos aplicativos de mensagem, a popularização da inteligência artificial trouxe novos desafios para a produção e a circulação de informações durante o período eleitoral.

É nesse contexto que a Sala de Articulação contra Desinformação (SAD), da qual o Aláfia Lab faz parte, publicou a edição 2026 do relatório “O papel das plataformas digitais na proteção da integridade eleitoral”. O documento analisa como redes sociais, aplicativos de mensagem e plataformas de inteligência artificial estão se preparando para as eleições deste ano.

A SAD reúne organizações da sociedade civil, incluindo grupos de pesquisa acadêmica, preocupadas com os impactos sociais da desinformação on-line. A articulação funciona como um espaço de discussão e ação conjunta que conecta temas digitais, direitos humanos e questões socioambientais. A rede acompanha a evolução de táticas e narrativas de desinformação e também monitora as ações de plataformas digitais e autoridades, como governos e Justiça Eleitoral.

Para isso, o documento acompanha quatro temas: integridade eleitoral, anúncios políticos, violência política de gênero e raça e negacionismo socioambiental.

O que o relatório encontrou?

Entre as redes sociais, o levantamento identifica avanços na criação de políticas voltadas ao período eleitoral, mas também diferenças importantes entre as empresas. YouTube, TikTok e Meta possuem páginas específicas com políticas e processos relacionados às eleições, enquanto X e LinkedIn apresentam informações mais dispersas.

Nos aplicativos de mensagem, o cenário também varia. O WhatsApp possui uma política específica para eleições, enquanto o Telegram não apresenta uma política eleitoral específica.

Já nas plataformas de inteligência artificial, foram analisadas cinco ferramentas: ChatGPT, Claude, Gemini, Grok e Llama. ChatGPT e Claude possuem políticas específicas relacionadas às eleições, enquanto Gemini apresenta informações mais dispersas. Já Grok e Llama não apresentam políticas eleitorais específicas identificáveis.

Entre as ferramentas analisadas, nenhuma apresenta políticas específicas para violência política de gênero e raça ou para negacionismo socioambiental. O resultado chama atenção para os desafios de aplicar políticas de integridade eleitoral a ferramentas que, além de distribuir informações, também podem produzi-las e responder diretamente a perguntas dos usuários.

O levantamento mostra, assim, que as empresas não estão no mesmo estágio de preparação para as eleições de 2026. Enquanto algumas já estabeleceram medidas específicas para o período eleitoral, outras ainda apresentam lacunas importantes, especialmente diante dos novos usos da inteligência artificial.

Leia o relatório completo da SAD.