Estudo analisa relação entre polarização política e consumo de informação no Brasil

Pesquisa investigou como gênero, idade, classe econômica e escolaridade influenciam hábitos informacionais de pessoas à direita e à esquerda no ambiente digital

O Aláfia Lab publicou, em outubro de 2025, o estudo “Polarização política e consumo de informação no Brasil: uma análise sobre gênero, idade, classe e escolaridade”, que examina como os hábitos de consumo de informação se organizam a partir do recorte da polarização política entre direita e esquerda. A pesquisa busca compreender de que forma diferentes perfis sociodemográficos se informam sobre política em um ecossistema mediado por redes sociais, aplicativos digitais e portais de notícias.

A análise integra os resultados da sondagem de opinião realizada em 2024, com amostra estratificada nacional, apresentada originalmente no relatório “Desigualdades Informativas: Entendendo os caminhos informativos dos brasileiros na Internet 2024”. O objetivo geral da pesquisa foi investigar como aspectos sociodemográficos impactam o consumo de informação digital no país, contribuindo para preencher lacunas de dados sobre formatos, plataformas e fontes mais utilizadas por diferentes grupos sociais.

Consumo de informação e polarização política

O estudo está estruturado em três seções principais: (1) consumo de informação sobre política, (2) consumo de informação nas redes sociais e (3) consumo de informação por meio de portais e sites de notícias. A partir desses eixos, o relatório analisa como gênero, idade, classe econômica e escolaridade se articulam com o espectro político direita–esquerda, revelando padrões de segmentação informacional.

Os dados mostram que as redes sociais são a principal fonte de informação política no Brasil, embora sua relevância varie conforme o perfil sociodemográfico e o posicionamento político. Entre pessoas de esquerda, mulheres dependem mais das redes sociais (49%) do que homens (37%), que tendem a priorizar televisão e sites jornalísticos. Já entre pessoas de direita, os comportamentos de homens e mulheres são mais semelhantes, com destaque para o uso de aplicativos de mensagem entre os homens.

Desigualdades socioeconômicas e fontes de informação

A classe econômica e a escolaridade também influenciam fortemente os hábitos informacionais. Na direita, as redes sociais predominam em todas as classes. Na esquerda, pessoas de classes mais altas tendem a priorizar sites de notícias, enquanto as de classes mais baixas recorrem com maior frequência à televisão. O nível educacional aparece como um fator de diversificação das fontes: quanto maior a escolaridade, maior o consumo de sites jornalísticos, 52% entre pessoas de esquerda e 42% entre pessoas de direita. Ainda assim, as redes sociais seguem como o principal meio de informação política entre pessoas de direita em todos os níveis educacionais.

O estudo está disponível para leitura.

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