Diagnósticos e recomendações para o enfrentamento do racismo online

Diagnósticos e recomendações para o enfrentamento do racismo online

Documento reúne contribuições de sociedade civil, academia, governo, mídia e plataformas digitais a partir de encontros realizados em Salvador e Brasília ao longo de 2025

Em novembro, publicamos o documento “Construindo caminhos contra o racismo online: diagnósticos e recomendações”, no âmbito do Observatório do Racismo nas Redes. O documento é resultado de um processo coletivo de escuta, diálogo e articulação intersetorial, que buscou compreender como o racismo se manifesta e se reproduz nas dinâmicas informacionais e tecnológicas contemporâneas, bem como identificar caminhos concretos para seu enfrentamento.

O relatório consolida os debates e aprendizados de dois encontros complementares realizados ao longo de 2025, em Salvador (BA) e em Brasília (DF), que reuniram representantes da sociedade civil, da academia, do poder público, da mídia e das plataformas digitais. A proposta central foi criar um espaço de construção conjunta entre agendas que, embora convergentes, como direitos humanos, direitos digitais, justiça racial e comunicação, nem sempre dialogam de forma estruturada.

Escuta, diagnóstico e articulação intersetorial

A primeira etapa do processo ocorreu em 26 de maio, em Salvador, e teve como foco a escuta ativa e a produção de um diagnóstico coletivo. O encontro reuniu organizações locais, coletivos de mídia, pesquisadores, jornalistas, movimentos sociais e instituições públicas em um espaço de diálogo horizontal, orientado pela metodologia do World Café. As discussões foram organizadas em três mesas temáticas, sociedade civil e movimentos sociais, plataformas digitais e poder público, permitindo que diferentes atores contribuíssem a partir de suas experiências e campos de atuação.

As reflexões produzidas nesse primeiro momento foram sistematizadas em um documento preliminar, compartilhado com todas as pessoas participantes para comentários e aprimoramentos, servindo de base para a etapa seguinte do processo.

Das análises às recomendações

A segunda etapa foi realizada em 1º de outubro, em Brasília, como parte da programação do Festival FALA, evento nacional dedicado a debater o futuro do jornalismo e da comunicação a partir de perspectivas populares e diversas. O encontro teve como objetivo aprofundar os diagnósticos produzidos anteriormente e transformá-los em recomendações concretas, conectando as discussões às agendas de incidência política e formulação de políticas públicas.

  • As conversas foram organizadas em cinco eixos temáticos:
  • Letramento, Comunicação e Sociedade;
  • Dados e Pesquisas;
  • Regulação, Plataformas e Responsabilização;
  • Financiamento e Incentivos;
  • Infraestrutura, Estado e Governança.

A partir desses eixos, as discussões se concentraram em três dimensões analíticas: o mapeamento de iniciativas e ações já existentes, a identificação de barreiras e desafios institucionais e estruturais, e a definição de primeiros passos possíveis, com foco em estratégias de curto e médio prazo.

O que traz o relatório

O documento final está organizado em três partes. A primeira apresenta uma discussão teórica e contextual sobre o racismo online e suas múltiplas dimensões, explorando o papel das tecnologias digitais e dos fluxos informacionais tanto na reprodução quanto no enfrentamento das desigualdades raciais. A segunda reúne o diagnóstico coletivo produzido ao longo dos encontros, articulando experiências, percepções e práticas dos diferentes setores envolvidos. A terceira parte sistematiza um conjunto de recomendações intersetoriais, direcionadas a governo, plataformas digitais, academia, sociedade civil e mídia.

  • Entre os conteúdos do relatório, destacam-se:
  • Uma análise aprofundada sobre o racismo online e suas dinâmicas no ecossistema digital;
  • Um diagnóstico coletivo dos principais desafios para a construção de uma agenda antirracista digital;
  • Recomendações intersetoriais voltadas à formulação de políticas públicas, programas institucionais e iniciativas do setor privado e do terceiro setor.

O documento está disponível para leitura

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